Crise no Paraguai
O Paraguai enfrenta uma crise política em meio ao escândalo envolvendo o banco digital Ueno. O presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia, mas a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido e aprovou, por 78 votos a zero, a abertura de um processo de impeachment.
Peña é acusado de ter sido conivente com a crise da instituição financeira, da qual foi acionista até o ano passado. O banco deixou milhões de paraguaios sem acesso aos próprios depósitos e também administrava aproximadamente 850 milhões de dólares em recursos públicos.
A disputa envolve também as consequências jurídicas e políticas da saída do presidente. Pela Constituição paraguaia, os ex-presidentes têm direito a uma cadeira vitalícia no Senado. A renúncia permitiria a manutenção dessa prerrogativa, enquanto o impeachment pode resultar na perda da vaga e do foro parlamentar.
O caso tem como referência o episódio do ex-presidente brasileiro Fernando Collor, que renunciou em 1992, mas teve o impeachment aprovado pelo Senado. Com isso, perdeu os direitos políticos por oito anos.
Próximos passos
O Senado paraguaio deve dar continuidade à análise do processo, com a apresentação da acusação e a defesa de Peña. A Casa já iniciou os procedimentos para a formação do tribunal responsável pelo julgamento.
Antes de aprovar a abertura do impeachment contra Peña, os deputados rejeitaram um pedido semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana. Com isso, ele permanece apto a assumir a Presidência caso a saída de Peña seja confirmada.




